Magia Angélica & Talismânica

“No trato com o mundo invisível o mago busca meios de se comunicar com as Hierarquias Superiores e dirigi-las para em seguida exercer domínio sobre Hierarquias Inferiores em proveito de seu objetivo.” Helena Blavatsky (1831-1891)"

 

Uma das faces da Magia Cerimonial consiste no esforço do mago invocar os poderes das Hierarquias Superiores e na capacidade de dirigir ou orientar essas forças para atingir um determinado objetivo. Entretanto todo aquele que estuda o esoterismo das religiões sabe que não existe fenômeno material sem seu substrato astral e vice-versa. Sabe também que todas as inteligências ou entidades suprafísicas, seja qual for a Hierarquia Espiritual a que pertençam, necessitam de um assentamento que lhe sirva como “meio” de revelação, ou seja, de um suporte material adequado para se manifestarem no plano físico. Daí o uso dos talismãs nos rituais teúrgicos da antiguidade. Chama-se talismã uma peça constituída a partir de um suporte natural (vegetal, mineral ou animal) consagrado especialmente para uma determinada intenção. É um objeto ativo, cheio de força igualmente ativa, destinado a atrair um certo conjunto de leis mágicas ao redor da pessoa para a qual foi feito.

 

Talismãs assumem formas e dimensões variadas, e são carregados com uma força astral destinada a realizar desejos ou obter auxílio superior. Talismãs reproduzem as Estruturas Esquemáticas dos Campos de Forças do Mundo Astral e, assim, refletem o Fluxo e a Atuação das Forças Sutis Astrais sobre as Forças Elementares  e Terrestres.

 

As religiões arcaicas tinham sua base na Magia Cerimonial. O contato com seres superiores se processava através de forças talismânicas armazenadas nas “colunas”, “therafins” (estátuas-ídolos), nos altares, na disposição do templo, nas roupas, óleos, tábuas e tudo o mais que pudesse concentrar e fixar e/ou irradiar a Força Astral de uma Entidade de Nível Superior.

 

Isso acontecia por que antiguidade religião e magia estavam intimamente ligadas, haja vista que todo apelo para as Potências Criadoras, para Deus, era um ato mágico.  Por exemplo, a oração visava compelir ( ou convencer) a Divindade a interceder pelo devoto ou em favor de outra pessoa. A oração de intercessão objetiva, acima de tudo, a um estado de união mística entre o devoto e a Divindade (ou deuses se for uma religião pagã), torna-se assim um verdadeiro encantamento. Surge daí a grande importância que os sacerdotes antigos davam aos talismãs, aos pantáculos, seja para influenciar acontecimentos que podiam ter uma repercussão importante sobre a comunidade, seja para restabelecer a saúde de um indivíduo, pedir proteção ou proporcionar este ou aquele benefício.

 

O tipo de Talismãs ensinados no Workshop de Magia Angélica e Planetária chama-se Talismãs dos Anjos Planetários. A base filosófica desses talismãs remonta a astrologia e a angelologia hermética medieval. Nesse curso aprendemos que em nosso sistema solar as ordens de inteligências mais elevadas são as que presidem as sete esferas celestes (sephirots) representadas no Universo físico como os sete corpos visíveis (incluso o Sol e a Lua). Foram-lhe atribuídos diferentes nomes, a tradição judaico-cristã os chama de Sete Arcanjos – os sete Espíritos diante do Trono de Deus. Os Arcanjos são de fato Espíritos Planetários aperfeiçoados numa fase mais antiga da evolução. Eles atuam como executores da Vontade Divina e realizam o Plano que o Eterno estabeleceu como meta evolutiva em nosso sistema solar. Assim sendo, para cada Anjo Mestre (Arcanjo) existe um planeta que atua como seu veículo astronômico e ao qual Ele é um regente sideral.

 

Gabriel é o regente da Lua

Rafael é o regente de Mercúrio

Haniel é o regente de Vênus

Michael é o regente do Sol

Samael é o regente de Marte

Cassiel é o regente de Saturno

Sachiel é o regente de Júpiter.

 

Entretanto para  H. P. Blavatsky os sete Arcanjos não são apenas regentes planetários, mas “residem bem além da região (esfera) planetária”. Estamos de acordo com Blavatsky quando afirma que os sete gênios siderais encontram-se num plano hiperfísico além dos planetas, onde o Sol e a Lua (astros) a tradição hermética considera como planetas.

 

Sem muito esforço, então, podemos assimilar o conceito básico dos Talismãs dos Anjos Planetários: contato com o plano superior, não necessariamente o Céu ou Paraíso, nem um lugar acima, mas um mundo vibrando em outra dimensão próxima da nossa e, ao mesmo tempo, superior em conhecimento e elevação espiritual. Contato esse que visa algum tipo de favor especial, proteção, defesa, sorte ou ajuda.

 

Nos rituais de fabricação dos Talismãs dos Anjos Planetários ensinamos aos alunos invocar e manejar as forças ocultas da natureza. Eles aprendem que um talismã deve ser confeccionado seguindo certas regras transmitidas desde épocas imemoriais. Ele não pode ser confeccionado senão por certas pessoas, em determinadas horas, determinados lugares. Ele não pode ser reproduzido sem que se conheça o significado esotérico e a forma das letras, dos sinais a virtude das substâncias empregadas.

 

Os sábios herméticos insistiam no fato de que o mago não deve fabricar seu talismã senão com muita fé, pensando na finalidade para o qual ele é feito; sua ciência deve ser completa, ele deve conhecer os verdadeiros selos, caracteres, figuras caso contrário, o poder do talismã não funcionará e seu possuidor ficará frustrado em suas esperanças. A magia talismânica é um método científico para fazer com que ocorram mudanças de acordo com a Vontade, mas devemos conhecer previamente a nossa Vontade antes que possamos aplicar este método prático de nossa Arte Real. Portanto, o primeiro e maior passo da magia talismânica, como em todas as outras áreas da magia, é: conhece a tua vontade.


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