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Ghyasamaja Tantra e os Rituais de Magia Tântrica Budista (parte 1)


Se existe um tema virtualmente desconhecido entre a maioria dos estudiosos do Tantra é a prática da Magia e Feitiçaria Budista. Mas práticas e rituais mágicos sempre estiveram presentes nas correntes tântricas antigas, e em suas escrituras, principalmente o Ghyasamaja Tantra que é considerado um importante marco na história do tantrismo. De acordo com a perspectiva budista a magia é um poder ilimitado, inimaginável e acima do normal, que conquistamos com a prática da meditação e das austeridades espirituais. Em geral, achamos que só Buda, os iluminados e os alto adeptos (nirmanakayas) têm poderes mágicos ou sobrenaturais. Mas, na realidade os bodhisattvas, os devas ou deuses, os fantasmas e até os demônios também possuem poder mágico. Os seres humanos comuns têm poderes mágicos também. Com esse pequeno texto pretendo demostrar que a Magia Budista não é um simples Tabu ou algo que deve ignorado como ilusão ou supertição. Na verdade se você procurar pelo radical 'magi' da palavra magia, da palavra magistrado, magistério ela é um radical persa que significa "(homem) sábio", sabedoria tal como a 'Santa Sofia', a Sagrada Sabedoria, que não é conhecimento apenas. A magia é universal e existem numerosos relatos e registros da práticas mágicas por ocasião da expansão do Budismo por toda a Ásia.

Ghyasamaja Tantra

Este conjunto de segredos é provavelmente a mais antiga e mais importante escrituras tântrico-budista, atribuído à Asanga, o quarto mestre Yogacara do IV século. Este tratado, às vezes simplesmente referido como o Samaja Tantra, mas também como Tathagata Guhyaka, representa um dos textos de raiz que foram fundamentais no desenvolvimento do Vajrayana (Budismo Tântrico ou Esotérico) e pertence à classe mais elevada de seus ensinamentos, o Annutara Tantra.

É importante saber que o Budismo tântrico está dividido em quatro classes, cada uma apropriada para um tipo de devoto, respectivamente Carya Tantra, Kriya Tantra, Yoga Tantra e Annutara Tantra. As primeiras duas classes são preparatórias e não fazem uso da presença da Shakti (sacerdotisa consagrada) as duas últimas são consideradas superiores e a Shakti é um elemento importante do ritual.

Segundo a tradição, os ensinamentos foram dados a partir de Tilopa para Naropa , por meio do qual eles chegaram as demais tradições tibetanas como Kadam-pa, Gelug-pa e Karyu-pa.

Em sua forma original indiana o Guhyasamaja Tantra é considerado uma escritura não ortodoxa e que visa uma reforma interna do Budismo. Essa forma de budismo antigo afirma que - se os poderes psíquicos ( siddhis ) devem ser adquiridos - as mulheres devem sempre ser associadas com aqueles que tentam atingir esse objetivo. Tal realização de poderes e de treinamento em magia psíquica é um dos principais temas da Guhyasamaja, e alguns de seus feitiços e rituais são claramente antigos e também conhecidos em culturas de todo o mundo.

O texto vai ao encontro do anseio popular ao dar direções para vários tipos de práticas mágicas, voltadas para a benção de sucesso na vida cotidiana, curas, vitórias sobre inimigos tais como encantamentos (mantras), sinais e gestuais místicos (mudras) e desenhos representativos do Cosmos e das deusas (mandalas e yantras). Essa tradição foi aos poucos se consolidando como uma linha ritualística rica em práticas místicas de Yoga e Hatha-Yoga, além de ritos de Magia denominados cruéis, tais como Santi, um rito para acalmar e perdoar, Vasivesana para separação, Marana para assassinato e Ucctana para destruição.

Essa tradição é o Vajrayana, que dividiu-se em duas grandes escolas: o Lamaísmo Tibetano e o Shingon Japonês.

O texto também fala das virtudes inerentes ao desejo e prazer sensorial, o bem-estar do corpo e da mente, e de perceber a Natureza de Buda através da união do feminino e masculino. Ela difere de muitos textos posteriores em não condenar a ejaculação masculina, mas diz que quando o Vajra (ie lingam ) é conectado ao lótus (ie yoni ) na união de ambas as polaridades, o devoto adora os Budas e os Seres de Luz com as gotas do próprio sêmen.

Também existem registros que o adepto masculino, ou iogue, deixa seu fluxo de sêmen de forma contínua na forma de mandalas.

Em resumo, a escritura denominada Tantra de Ghyasamaja preserva o seu elemento radical de desobediência civil e de comportamento antinomianistas que são características dos Tantras, tanto hindu como budista. Isso também é evidente em obras como a Prajnopaya-viniscaya Siddhi .

Aqui mais duas citações do texto, sua semelhança mostrando claramente o seu tom geral.

Não suprimir seus sentimentos, escolher aonde você vai, e fazer o que você deseja, para, desta forma, conquistar o favor da Deusa.

Ninguém consegue atingir a perfeição pelo emprego de operações difíceis e vexatórias; mas a perfeição pode ser adquirida satisfazendo todos aqueles desejos.

Há várias semelhanças entre este texto e o depois Tantra Kalachakra (ca. 750), já que ambos os textos lidam extensivamente com magia e sexualidade ritual, especialmente a chamada Sadanga Yoga (Yoga de seis membros) todos os seis estágios são praticados enquanto os dois parceiros estão sexualmente excitados e unidos na posição Yab-Yum (foto abaixo).

continua..


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