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Magia Sexual Gnóstica

Atualizado: 30 de Dez de 2019



Sacerdotes de Aether (por Helio Ketheriel)

O termo Sacerdote de Aether diz respeito um grau de iniciação espiritual ligado aos Mistérios Sexuais da Ordem do Lotus Negro (O.L.N). Essa iniciação só pode ser conferida pelo próprio magista que, através de seus esforços, prova a si mesmo que atingiu o grau de consecução espiritual que o habilita a utilizar este título.

Este é o primeiro de uma série de artigos onde iremos explorar os segredos da Magia Sexual. Na Tradição dos Mistérios esse aspecto da Magia envolve o uso da energia sexual como fonte de poder que pode ser usado para atingir objetivos mágicos, místicos ou espirituais.

A Natureza nos oferece uma grande quantidade de energias e uma que combina a facilidade de acesso aliado a um grande poder é a energia sexual. Entretanto a facilidade de acesso não significa facilidade de uso, todo aprendizado requer sacrifício, perseverança e paciência.

A premissa fundamental da Magia Sexual é o conceito de que a energia sexual, ou libido, do organismo humano é a força mais poderosa que podemos manipular e que algumas práticas ocultas podem acumular, direcionar ou modificar esta energia de modo a atingir objetivos pré-determinados. Embora possa parecer obvio é importante lembrar que a Magia Sexual é o uso do sexo como uma ferramenta a favor da magia e não a magia como uma ferramenta a favor do sexo.

Fraternidade de Eulis

Os conhecimentos dos Sacerdotes de Aether sobre este tema derivam de fontes diferentes. Uma fonte de inspiração permanente é o trabalho de Paschal Beverly Randolph (1825-1875), um rosa-cruz e ocultista estadunidense iniciado nas seitas tântricas da Síria e da Birmânia.


Randolph era médico, mulato, político liberal e ficou conhecido como a primeira pessoa a revelar a doutrina sexual dos rosa cruzes na América do Norte. Apaixonado desde a infância por ilusionismo e magia, ele foi, numa das suas viagens à Síria, um dos primeiros ocidentais a serem iniciados nos ritos secretos dos ansariehs. Randolph faleceu precocemente à idade de 48 anos, ainda assim até hoje ele é fonte de inspiração para todos que se interessam pelo uso da energia sexual para fins magísticos e espirituais.

Randolph foi amigo pessoal de Eliphas Levi e de Abrahan Lincoln. Ele fundou em 1870 a Eulis Brotherhood (Fraternidade de Eulis) uma fraternidade rosacruz com base na doutrina esotérica da polaridade sexual.

Tendo viajado bastante Randolph estava ligado às correntes iniciáticas orientais, entretanto seu método de magia sexual era eclético e podemos observar influências sufis (esoterismo islâmico), misticismo tibetano, astrologia e espiritismo kardecista além de práticas mágicas gnósticas.

Randolph acreditava numa Presença Inteligente, no poder e na força que refletia no Universo através do Espelho (Akáshico) da Natureza onde passado, presente e futuro se fundem continuamente. Ele afirmava que existem inteligências incorpóreas que habitam outras dimensões do espaço infinito, além das três que conhecemos.

Randolph acreditava (assim como hoje alguns teóricos da física ) que existem mundos paralelos ao nosso Universo e que uma Presença Suprema e diversos seres espirituais habitam esses mundos, aos quais o homem ainda não encontrou meios de acessá-los. Estes mundos são esferas espaciais fluídicas, energéticas e mesmo semi-materiais ao qual apenas aos iniciados foi dada a felicidade de contemplação. Esses mundos, lembra ele, se estendem para o infinito, "povoados de belezas ofuscantes, ornados de nuvens e constelações insensatas, de paisagens sem limite." O homem é, por assim dizer, um reflexo em miniatura do Universo e até mesmo os seres que habitam os céus também são formados de matéria. Na verdade tudo que existe é matéria em diversos graus de densidade. Nada é puramente “espiritual” no sentido de imaterial. Até mesmo entidades incorpóreas (anjos, deuses, demônios, elementais etc) também são formados de matéria ainda que sutil.

Randolph dizia que o iniciado pode ter acesso às dimensões habitadas pelos seres invisíveis e confirmar suas existências através das técnicas cerimoniais e sexuais da Alta Magia.

Assim o contato com outras esferas de vida e consciência é possível, pois estes estão submetidos à certas leis naturais que regem o Universo invisível. A tradição ocultista assevera que existe um sistema de correspondências entre as esferas espaciais, os planetas de nosso sistema solar e os chakras, os centros de energia do corpo sutil. As irradiações invisíveis das estrelas e planetas alcançam o nossos corpos sutis, aura e chakras por intermédio da Luz Astral. Não estamos fora do Universo, o Universo não está acima de nossas cabeças. Nós fazemos parte do Universo pois o Universo é Multidimensional.

Técnicas de Magia Sexual


Para Randolph apenas o transe mediúnico, ou os meios intelectuais normais, seriam insuficientes para elevar o homem aos planos superiores da Consciência Cósmica.

Um de seus métodos envolvia o uso de espelhos mágicos, magneticamente carregados nos ritos sexuais, para desenvolver a clarividência, lançar encantamentos e como um portal para o intercurso com entidades extradimensionais.

Através da combinação de técnicas de sexo ritual, decretos mágicos, exaltação da consciência (método tibetano chamado sialam), e envultamentos o iniciado podia evocar as imagens de entidades sobrenaturais no espelho negro e obter deles conhecimentos e poderes sobre-humanos.

Acredita-se que com o tempo e prática um iniciado podia contatar um ser de alta hierarquia espiritual e unir-se simbioticamente a Ele para aprender e evoluir. Os tibetanos chamam isso de Tulkuísmo. A consciência de um Ser dos planos interiores prolonga-se na mente de seus "Tulkus", seus mensageiros.

A Doutrina da Polaridade Sexual Os fluidos sexuais do macho e da fêmea possuem nutrientes tanto físicos quanto para-físicos que, devidamente ativados dentro de um contexto ritualístico, transforma-se em uma poderosa substância que pode ser utilizada para diversos fins tais como ungir e carregar talismãs, amuletos e sigilos, assim como eligires sacramentados para a força e a saúde do magista. Podem ser usados também como oferenda de assentamento para diversas entidades astrais que utilizam esses fluidos para precipitarem efeitos no plano físico.

Os textos alquímico-herméticos do ocidente os fluidos sexuais femininos são chamados de “Leão Vermelho” (o Enxofre Alquímico) e as secreções masculinas como a “Águia Branca” (O Sal Alquímico). A resultante da combinação desses fluidos é simbolizada pelo Mercúrio Alquímico. Já segundo Aleister Crowley em seu livro “Magick in Theory & Practice”, estes fluidos, quando combinados formam uma substância conhecida como Amrita. Esta substância forma a base de muitos trabalhos mágikos, e é também conhecida como a “Pedra Filosofal“.


Os ritos sexuais de Alta Magia frequentemente envolvem a união física entre o sacerdote e a sacerdotisa. Em outro momentos essa união física é irrelevante e pode-se invocar os poderes superiores com a simples tensão polarizada entre os sexos, que por si mesma é o suficiente para abrir um portal dimensional através do qual forças e entidades são atraídas à manifestação.

A base metafísica dos ritos de Magia Sexual baseiam-se na doutrina da polaridade sexual que é de perspectiva tântrica. A doutrina da polaridade sexual ensina que quando dois sexos estão unidos eles canalizam as forças duais do Universo, que devem ser descritas como positivas e negativas; os pólos dos pares opostos entre os quais se teceu a urdidura do Universo. Assim no cerimonial mágico quando há polaridade de sexos, a sacerdotisa traz o poder para dentro e o sacerdote o dirige. O sacerdote é a a corrente positiva-solar da Vontade e a sacerdotisa a corrente negativa-lunar da Imaginação. Ainda que no plano e no corpo físico, o homem canaliza as forças vitais positivas, e a mulher as negativas, a posição fica invertida no Plano Astral. Neste plano a mulher é positiva e o homem negativo.

A doutrina da polaridade sexual incorpora os Mistérios da “Serpente de Fogo" , a Kundalini dos hindus onde a sacerdotisa é investida dos poderes de Adi-Shakti (a Deusa Primordial), que é a fonte de tudo, o princípio universal de energia, poder ou criatividade.

A sacerdotisa é a Taça Gloriosa ou Graal que recebe o Poder Elemental do Terceiro Logos ou Espírito Santo (a Kundalini Cósmica). Ela é um receptáculo dos poderes da Deusa Mãe do Mundo conhecida nas culturas arcaicas como Ashera, Isís Urânia, Afrodite Celeste entre muitos outros nomes. E é assim que na condição um Espelho Mágico do Cosmos a sacerdotisa reflete as imagens dos Mundos Superiores, transmitindo visões e sons percebidos apenas por ela.

A Fórmula I.A.O

Esta é a fórmula que acompanha a doutrina da polaridade sexual. Sua origem atual tem roupagem egípcia, mas sua aplicação é universal no contexto dos ritos de polaridade sexual.

Aplicada na Magia Sexual a Fórmula IAO baseia-se no princípio que os dois sexos canalizam as forças duais da natureza, que devem ser descritas como positivas e negativas (Shiva e Shakty)


Nos ritos de magia sexual quando se produz a união entre o masculino (solar-positivo) e o feminino (lunar-negativo), o casal abre um Portal espacial para que a energia gerada possa fluir através deles com tremendo poder. A energia assim canalizada pode ser direcionada para fins místicos ou mágicos. Quando místico significa que ela pode ser utilizada para fins iluminatórios ( canalizar ensinamentos, exploração astral etc) ao passo que mágico visa trabalhos de resultados materiais (saúde, prosperidade etc.)

A Fórmula IAO então simboliza as potências ativa e passiva – I e O – unidas por “A” (Apófis), a energia criativa e magnética que cria ao unir as coisas. Em termos cabalistas a união sexual entre a Corrente Negativa-Lunar simbolizada pela Deusa Ísis ( I ), cujas raízes encontram-se em Binah e a Corrente Positiva-Solar simbolizado por Osíris (O), cujas raízes encontram-se em Chokmah conduz o poder da serpente (Kundalini) de volta à morada do Deus Oculto em Kether, que equivale ao Sahasrara Chakra ou Estado Supremo. Esta união mística faz surgir o êxtase criativo em Daath (Apófís ou Amenta) e a energia sexual então é transferida para qualquer uma das sephiroth abaixo do abismo, causando mudança (magia) em conformidade com a Vontade. Se formos adotar uma linguagem alquímica podemos dizer que a união sexual do Rei Vermelho (Sol) com a Rainha Branca (Luna) produz a Pedra Filosofal, o mistério central do Hermetismo e Rosa-Crucianismo. Os textos alquímicos afirmam que a Opus Alquímica ou Grande Obra passa por diferentes estágios. O primeiro passo do trabalho alquímico é justamente encarar o nosso lado sombrio – a travessia no deserto. Faz parte deste processo enfrentar nossas raivas, invejas, ódios ocultos, cobiça (mesmo a espiritual) e a competição. Este confronto com o nosso lado sombra causa depressão, melancolia, introversão, desilusão conosco mesmos e letargia. Ao superar este primeiro estágio a energia psíquica passa do estágio sombrio representado por Nigredo pelas diferentes fases de clareamento ou Albedo, ao nascimento da Luz, o Citrinitas, para finalmente alcançar a Luz do Sol Espiritual que é Rubedo, ou avermelhamento luminoso do Puro Ouro.

Talismãs, Oferendas e Intercurso Sexual com Entidades Astrais


No organismo físico, o controle das correntes eletro-magnéticas do Sexo implicam a inibição dos usuais resultados do orgasmo. Ou seja: na Magia Sexual a libido não é atirada a terra, mas é magicamente dirigida para encarnar em uma forma especialmente preparada para a sua recepção, por exemplo: um talismã, um sigilo, um yantra, o selo de um espírito ou qualquer outro veículo para a força astral invocada.

A Magia Sexual é dividida em duas grandes partes: excitação para sublimação e excitação para o orgasmo. Com a sublimação você domina a energia da excitação e a faz girar para dentro e para cima, através dos níveis de densidade, até induzir o transe visionário.

Já na excitação para o orgasmo você obtém a energia da excitação, gira-a para fora e para baixo, em direção a Malkut, até manifestar sua Verdadeira Vontade, por meio da intenção da Obra específica que está executando. Além de sua própria potência, os fluidos sexuais trazem o poder dos chakras neles contidos, fornecendo uma soberba substância para ungir e carregar objetos mágicos como talismãs, amuletos e sigilos, assim como eligires sacramentados para a força e a saúde do magista.

Por isso a necessidade de talismãs, sigilos ou objetos que sirvam para estabelecer um Elo Mágico com o plano físico e “aterrar” o êxtase energético (mana-orenda). Aliás, o sucesso na criação de um Filho Mágico (resultado visível da magia sexual) vai depender muito de habilidade do iniciado (seja homem ou mulher) de concentrar-se mental, emocional e astralmente no seu símbolo, durante o desenvolvimento do ato sexual, seja este símbolo um sigilo, forma-deus ou imagem final do resultado pretendido. Na Magia Sexual o sangue é muitas vezes substituído pelo sêmen masculino ou feminino como forma de oferenda as divindades e as entidades astrais. Isso remonta práticas antigas de origem pagã onde muitas vezes onde o sangue mestrual, chamado de sangue da Lua, era utilizado em cerimônias religiosas que visavam atrair as almas dos antepassados de volta a seu clã.

Mesmo quando o ato sexual é realizado de forma solitária (sem a presença de um parceiro) a doutrina da polaridade sexual ainda está presente pois o iniciado sempre invoca uma força espiritual para efetivar o trabalho mágico. Assim é que o iniciado pode, por exemplo, se oferecer em prazer para uma divindade, anjo ou daemon que tenha relação com aquilo que deseja obter com sua magia. Neste método ele então invoca a entidade para dentro de seu corpo (assunção de formas astrais) e depois oferece a mesma a alegria de seu próprio prazer, permitindo que Ele/Ela o experimente na sua carne. A Missa da Taça do Graal

As origens da Alta Magia muitas vezes remonta aos povos semitas e a Salomão. Todavia, é claro que a Alta Magia é anterior a Salomão tendo suas raízes espirituais no misticismo oriental. É fato conhecido que o rei Salomão se relacionou não apenas com o Deus hebreu, mas também com divindades pagãs. Em particular, o Templo de Salomão foi construído à adoração da deusa fenícia Astarte, também conhecida como Ashera, “a Rainha dos Céus”. Astarte, a Deusa do Templo de Salomão, assim como Eva do Gênesis, muitas vezes era representada em forma de serpente. O mesmo ocorria com outras deusas dos cultos antigos associadas à Astarte como Tanith, Isthar, Ashera e Ísis. O culto à serpente esteve no auge em muitas civilizações antigas. A Índia, o Egito, os índios americanos, todos viram alguma coisa de sagrado e divino nas serpentes e as consideraram símbolo de conhecimento e sabedoria. Os rituais em honra a deusa Astarte eram múltiplos, passando por ofertas corporais de teor sexual, libações, e também a adoração das suas imagens ou ídolos. O seu principal culto ocorria no equinócio da primavera e era altura de grandes celebrações à fertilidade e sexualidade. O sexualismo e erotismo ligados ao seu culto fazia dela uma deusa muito adorada entre os povos de Sidom, Tiro e Biblos. Ao que tudo indica durante o reinado de Salomão, Astarte se tornou consorte do Deus israelita Jeová e era conhecida pelos hebreus como uma personificação de Shekinah – o Espírito Santo ou presença de Deus no Reino da Manifestação. No Evangelho apócrifo dos Hebreus lemos que o próprio Jesus admitiu a natureza feminina no Espírito Santo, designando-o com a expressão de; “Minha Mãe, o Santo Hálito”. Do ponto de vista do ocultismo as Hostes de Seres Angélicos formam, no seu conjunto, a Força do Terceiro Logos que equivale a Alma Universal ou Shekinah. O Terceiro Logos é considerada por todas as nações arcanas como a Alma ou Mente Universal; também chamada de Útero Cósmico, Sophia ou a Sabedoria Feminina pelos gnósticos.


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